Sabe quando tu não sabes mais o que fazer? Sabe quando a coisa que tu mais quer é a única que tu não pode ter? Ai tu acha que com o tempo vai passar, mas não passa... a vontade fica ali, a agonia não vai embora e passam dias, semanas, meses e é tudo igual, parece um pesadelo, porque não é normal, o sentimento era pra ter ido embora faz tempo e não vai. Ai tu começa a achar que o problema é contigo, porque a coisa sai do teu controle e pimba! Não sei por que esse tipo de coisa acontece na vida... tudo é perfeito, carreira, estudos, amigos, família. Mas tem um sentimento fora do lugar que não vai embora nem com macumba, e isso causa muito ódio. E da um medão de não conseguir aquilo e nem parar de querer aquilo e ficar assim, agoniado pra sempre né? Pois é, paixão não correspondida, zoada, humilhada e ridicularizada é foda! Mas foda ainda é não desapaixonar nunca. Eu nem queria me apaixonar, eu tava na minha, quietinha e ele chegou, fez um furacão na minha vida. No inicio, pareceu que era pro bem. Ele dizia que gostava de mim, ele tentava me conquistar e ele conseguiu. Então ele começou a estragar tudo com as maluquices e sem-vergonhices dele. Depois ele me largou, me humilhou, quis de volta, teve, jogou fora de novo, quis de volta, teve e novamente não deu valor. E eu igual peteca, pra lá e pra cá, esquecer, não esquecer, me afastar, me aproximar, amar, odiar... Pirei. Nesse vuco-vuco não tive tempo nem pra pensar, nem pra esquecer, nem pra chorar minhas ultimas lagrimas de paixão rejeitada. Quando pensava em tomar alguma atitude a atitude dele vinha e me atropelava. Pow, ninguém merece. Sabe o que eu mereço? Um namorado sensível, que me ame, me leve pra sair, faça um poema ou musica, ou até uma frase pra mim, que me ligue, que me olhe, que me faça carinho, me de amor... E sabe o que eu tenho? Eu tenho um sentimento que um dia foi legal, agora carrego nas costas como um elefante cor-de-rosa, e um garoto otário que roubou a chave do meu coração e nem quer saber de devolver, acho até que perdeu. Com certeza perdeu, ele nem ligava deve ter esquecido em algum bolso e a mãe dele deve ter lavado junto com as outras camisas e lá se foi a chave do meu coração pro ralo. Pra ele abrir meu coração de novo, fez tanta força, mas taaaaaaanta força que estraçalhou o coitadinho. E agora to aqui, com os caquinhos dele na mão, tentando colar e implorando a chave de volta, pra quando ele tiver todos os pedacinhos coladinhos eu poder dar a chave pro meu futuro namorado legal e fofo que vou encontrar. Tenho tanto medo de esse namorado chegar e me pegar assim, despreparada, sem chave, muito menos coração. Ia ser um desastre total, porque ele ia atrás de quem tivesse um coração e ia me deixar sozinha de novo. Tenho medo até de que isso já tenha acontecido e eu nem tenha notado.
Mas esse medo não adianta nada, eu teria agora que pensar em alguma coisa pra esquecer de uma vez essa historia e colar esse coração rápido. Mas como? Ainda não inventaram cola pra isso. Eu bem que poderia inventar e ficar milionária, com uma cola pra corações partidos. Porque eu sei, não sou a única que teve o coração martelado. Todo mundo já passou por isso uma vez na vida, e muitas pessoas estão agora, passando por uma situação parecida. Será que já inventaram a cola e não contaram pra ninguém? Ou será que todo mundo que quebrou o coração, ficou sem? Meu Deus, eu sou tão novinha! Nem com o idiota vivi tudo o que tinha pra viver de amor! O amor é maravilhoso, eu sei, só o descobri com a pessoa errada. E se eu ficar sem coração não vou poder descobrir como é com a pessoa certa, vou virar uma solteirona, e morar com 27 gatos! Eu gosto de gatos, são carinhosos e tudo mais, mas tem aquela lenda que o gato gosta da casa, não do dono, e eu não teria dinheiro pra sustentar tantos gatos, porque se eu tivesse ia usar com coisas melhores do que gatos né? Mas chega de falar de gatos, vamos falar do meu coração partido. Eu já tinha me acostumado a viver assim, por incrível que pareça tinha me acomodado. Ele não me quer? Ele que se rale, vou viver minha vida. Mas falar é fácil, o difícil é fazer. Ver ele por ai, com outras, ter certeza que ele não me quer e mesmo se quisesse não poderíamos ficar juntos, porque ele ia desmoralizar de novo e de novo e a minha vida ia ser um inferno. Mas se com ele é uma meleca, sem ele é pior. E eu fico nessa, nem cago nem desocupo a moita, toda indecisa, toda ridícula, toda neurótica. Todo mundo me ajuda, me anima, me consola, mas sei que no fundo todo mundo acha que sou trouxa, ou louca e ninguém agüenta mais essa história. Ninguém, nem eu, que fui a protagonista.
E eu penso, penso, sai fumacinha do meu cérebro de tanto pensar em uma solução. Me internar? Mas não tem clinica pra doenças da alma. Virar hippie, bruxa, prostituta, emo? Ai poderiam me internar. Me dedicar somente aos estudos? Ai nem internação resolveria. Morrer? NÃO! Tenho que melhorar e esperar o namorado fofo que vai chegar. O príncipe encantado que toda menina, por mais que se faça de durona, espera. Ele não precisa vir de cavalo branco nem nada dessas besteiras, porque eu morro de medo de cavalo e tudo mais, mas quando ele chegar, eu espero estar pronta, ser a menina que era antes de conhecer o trouxa, romântica, alegre, extrovertida, e que acreditava nas pessoas. Perdi tanto tempo, beijei tantas bocas sem paixão esperando encontrar nela a solução, mas não adiantou. Bebi até vomitar, cantei até ficar rouca em boates, chorei de soluçar, gritei de raiva, mas agora chega! Eu sei que o recomeço ta aqui, me olhando nos olhos e dizendo: é só querer! Mas hey, recomeço, não é só querer não. Pra começar uma coisa, temos que deixar o passado pra traz, isso eu aprendi direitinho em todos os textos e crônicas de auto-ajuda que eu li por ai. Não posso voar se minhas azas ainda estão quebradas, não posso ver se meus olhos ainda estão cheios de lagrimas, muito menos amar com o coração despedaçado.
Por isso to esperando tudo isso passar, mas eu não fazia idéia de que demoraria tanto. Já fiz de tudo e não tive nenhum resultado animador. E esperar não posso mais, a vida ta me chamando, o amor me esperando e eu aqui dentro de casa me afogando em lagrimas e chocolates. Vontade de botar uma mochila nas costas e sair, conhecer o mundo, mas eu acho que minha mãe não deixaria e cada carro igual ao dele que eu visse, cada musica de louco que eu ouvisse, cada olho azul, cada vez que falassem no diabo eu ia querer largar tudo e voltar pra casa, correndo, ligar pra ele e viver nossos minutos de alegria, no escuro, escondidos, e cada vez que isso acontece, um dos caquinhos do meu coração se perde por ai, ou no bolso dele como a chave, ou no cantinho do sofá, ou a minha cachorra vai brincando até perder. E se continuar assim, vai ser impossível colar ele, ia ficar todo feio e desmantelado. E eu quero um coração INTEIRO! Eu podia pedir um novo de natal, mas sei lá, podiam me dar um de galinha e eu começar a botar ovo.
Enfim, eu quero o meu velho e bom coração, colado, inteiro, e prontinho pra um novo amor que NUNCA iria arrebentar ele e perder a chave. Acho que sei uma boa terapia. ESCREVER. Sim, porque desabafar com as pessoas, ninguém agüenta mais e eu nem consigo me expressar tão bem. Escrevendo, eu falo tudo, deixo a mão solta e vou falando, como se estivesse traduzindo meus sentimentos. Acho que vou escrever sobre ele, todas as qualidades e defeitos, todos os nossos momentos, todos os bens e maus que ele me causa e eu sei que se fizer isso, ele sai perdendo. Poderia contar a nossa história inteira, como tudo começou confuso, como ele foi se transformando e eu também, como eu cheguei a conclusão de que ele tem dupla ou tripla personalidade, e que uma delas é o diabo e a outra o garoto mais perfeito desse mundo, como eu me apaixonei, desapaixonei, apaixonei denovo, tentei desapaixonar e não deu mais e nessa hora eu me estrepei, comecei a amar sozinha e quando isso acontece, tudo fica esquisito, parece que vivemos em mundos paralelos. Fiquei bastante tempo pensando que o nosso destino era ficar juntos, mas depois de refletir bem, vi que eu gosto dele acima de qualquer outro garoto no mundo inteiro, de que eu largaria a companhia de qualquer um deles por um filme com pipoca com ele, mas que também eu me amo, eu preciso de carinho, de mimos, de um olhar de amor e não de um olhar de desejo que depois vira de bunda pra mim e vai dar encima da próxima que aparece. Eu não sou mais uma criancinha pra ter um amor platônico e tudo bem, vivo assim. Já sou uma garota grande, quase uma mulher e se for pra gostar de alguém, tenho que ser correspondida, porque eu não nasci pra sofrer. Eu nasci pra ser feliz no trabalho, na escola, com os meus amigos, com a minha família e se for pra ter algum rapaz no meio, que seja o cara certo. Não tenho tempo pra me divertir com os errados, não tenho mais tempo pro trouxa.
Mas sabe, tudo tem seu lado positivo. Talvez eu conheci o trouxa antes de conhecer o príncipe, pra dar valor ao príncipe quando ele chegar. Talvez o trouxa fosse uma lição que precisei aprender pra no futuro não fazer igual ele fez comigo com o príncipe.
E do fundo do meu coração partido, eu desejo que o trouxa conheça uma trouxa e que ela faça ele de trouxa, pra ele deixar de ser trouxa.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
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